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7 tendências no universo do bem-estar para ficar de olho


Tendências do Universo de Bem-Estar

Não há dúvida de que o interesse do consumidor em conteúdos, serviços e produtos relacionados a bem-estar vem aumentando rapidamente, e de muitas maneiras, essa crescente acelerou durante a pandemia, ainda que os gastos das pessoas neste quesito tenham retraído. Hoje, os consumidores estão cada vez mais conscientes de que todos os aspectos de suas vidas (trabalho, alimentação, vida social etc) impactam sua saúde, resiliência mental e sensação geral de bem-estar.


Esse aumento do interesse e conscientização dos consumidores sobre estilos de vida saudáveis está impulsionando o crescimento do mercado de bem-estar, somados ainda ao entendimento maior que as pessoas estão tendo sobre sustentabilidade, meio ambiente e justiça social, além de outros fatores como o envelhecimento da população e aumento contínuo de doenças crônicas.


O fato é que a pandemia provocou mudanças importantes na forma como os consumidores entendem e experienciam o bem-estar e o que eles esperam do bem-estar. Neste artigo, a Amman Consultoria de Spas separou as sete principais mudanças que foram apontadas pelo Global Wellness Institute (GWI) em seu último relatório - “The Global Wellness Economy: Looking Beyond Covid”.



1. Autocuidado para autopreservação e sobrevivência

Na linguagem do consumidor, o bem-estar é muitas vezes equiparado ao autocuidado – ou seja, simplesmente, cuidar de si mesmo. Enquanto a noção de autocuidado vem aumentando, alimentando o rápido crescimento da economia do bem-estar, muitas vezes ela ainda é associada apenas a mimos ou a uma pausa nas responsabilidades diárias. No entanto, uma das grandes mudanças é que agora o autocuidado está se tornando um meio de autopreservação e sobrevivência. Como cuido do meu próprio bem-estar para que eu possa lidar com uma situação difícil e não desmoronar, para cuidar de mim, da minha família e das minhas responsabilidades? O conceito de autocuidado se expandiu muito além de um banho de espuma, um tratamento facial ou uma sessão de meditação. Ele agora se estende a refeições caseiras, conexões humanas, sono, natureza, bem-estar financeiro e muito mais. Para sobrevivência e sanidade, o bem-estar não é mais algo que fazemos durante uma hora por dia, algumas vezes por mês, ou apenas quando estamos de férias. O bem-estar é foco essencial a ser incorporado em nossas vidas e prioridades diárias.


2. A prevenção como estilo de vida e prioridade de saúde pública

A pandemia revelou a estreita conexão entre a prevenção de doenças infecciosas e crônicas. Muitos estudos e pesquisas comprovaram que pessoas com doenças crônicas e problemas metabólicos de saúde enfrentam riscos muito maiores de infecção e mortalidade por Covid-19. Isso estimulou uma onda de interesse do consumidor em imunidade – desde alimentos, suplementos e terapias que “reforçam o sistema imunológico”, até a procura por exercícios, cuidados em relação ao sono, saúde intestinal, gerenciamento de estresse e assim por diante. A natureza aérea da transmissão do Covid-19 também trouxe nova atenção para o problema generalizado e de longa data de má qualidade do ar e toxinas ambientais. A desigualdade nos riscos da doença provocou um despertar para as iniquidades da saúde preventiva e saúde pública, que precisa de mais investimento e deve se estender além das campanhas de vacinação e antitabagismo, para uma promoção mais holística e equitativa de ambientes e hábitos de vida saudáveis.


3. O bem-estar e a ciência devem caminhar juntos

O bem-estar muitas vezes recebe uma má reputação em razão do charlatanismo que há muito está embutido em suas práticas - “curas” e soluções rápidas duvidosas e às vezes prejudiciais, falsas alegações de eficácia, pensamento mágico, ciência falsa e até anticiência. O movimento de bem-estar tem sido impulsionado por consumidores e empresas, crescendo principalmente fora da medicina convencional e seus mecanismos de pesquisa. O crescente interesse do consumidor em todos os tipos de modalidades de bem-estar “alternativas”, forçaram a ciência médica a acompanhar a indústria do bem-estar. Embora muitas modalidades populares de bem-estar existam por centenas ou milhares de anos, a pesquisa científica e as novas tecnologias são agora capazes de testar e validar seus benefícios (por exemplo yoga, meditação, medicamentos à base de plantas, quiropraxia, acupuntura, entre outros), levando a uma aceitação gradual da medicina convencional. Ainda assim, a adoção de práticas de bem-estar pelo consumidor está acelerando em um ritmo muito mais rápido do que o de pesquisas científicas, especialmente em áreas como suplementos e alimentos funcionais. Os negócios que procuram monetizar uma nova moda costumam ser rápidos demais para fazer inferências a partir de evidências muito limitadas e exagerar as alegações de eficácia. No futuro, as pressões de custos sobre os sistemas de saúde, o envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas em todo o mundo forçará a medicina convencional a olhar para o bem-estar e valorizá-lo por suas abordagens e terapias holísticas de estilo de vida. Mas para evitar prejudicar os consumidores e se tornar verdadeiramente complementar à saúde, empreendedores de bem-estar e as empresas devem abraçar a ciência e a evidência, comunicar honestamente e encorajar consumidores a fazer o mesmo.


4. Inclinando-se para a natureza e cura

A pandemia colocou em destaque a natureza e a sua importância para a saúde e bem-estar. Muitos descobriram que a natureza cura e é nutritiva para o corpo e para a mente. Hoje, estamos até tentando trazer mais natureza dentro de casa, como evidenciado pelo aumento nas vendas de plantas. A valorização do contato com a natureza terá destaque em muitas experiências de bem-estar daqui para frente. E, é claro, há uma estreita ligação entre o amor pela natureza e a proteção do planeta terra. No mundo corporativo, há alguma preocupação de que a sustentabilidade tenha ficado em segundo plano em relação à saúde e questões patrimoniais durante a pandemia, mas a crescente apreciação do consumidor e desejo pela natureza impulsionará as empresas de bem-estar para uma direção mais regenerativa e ambiental no longo prazo.


5. Equilibrando conexões físicas e virtuais

A conexão com outras pessoas é uma parte vital de estar bem. Muitas tendências de bem-estar pré-pandemia apontaram claramente para nosso desejo de construir conexões e encontrar um sentimento de pertencimento – por exemplo, o crescimento do coworking e coliving. A pandemia gerou uma migração instantânea para plataformas digitais para todos os aspectos da vida: salas de aula, trabalho, encontros, festas, conferências, aplicativos para meditação, coaching e terapia; casamentos e funerais híbridos; e assim por diante. Claramente, o setor de tecnologia emergiu como um vencedor na pandemia. As empresas de tecnologia preencheram um vazio crítico e apresentaram as vantagens das plataformas digitais em escalabilidade, acessibilidade, custo, privacidade e customização. Algumas estão olhando para a realidade aumentada e outras tecnologias emergentes para criar experiências imersivas. Com a transição de volta para um mundo físico, uma questão-chave é o quanto essas atividades baseadas em tecnologia durarão e sob quais condições. A experiência digital é adequada para construir e sustentar conexões humanas significativas e duradouras? Como o tempo de tela está nos prejudicando? Quanto precisamos ver fisicamente e tocar outras pessoas para nos sentirmos amados e conectados? Ninguém sabe a resposta para essas perguntas, pelo menos não ainda. Mas é certo que o equilíbrio entre conexões digitais e físicas terá ramificações em todos os setores da economia de bem-estar daqui para frente.


6. O bem-estar mental é o centro das atenções

As questões relacionadas à saúde mental vem gerando uma crescente crise de saúde pública há algum tempo - mais de 15% da população mundial sofre com algum tipo de transtorno nesse sentido. Estresse, preocupação, tristeza, esgotamento e solidão estão aumentando em todo o mundo. Neste cenário, o bem-estar mental oferece um caminho para ajudar a atender às necessidades generalizadas. Na verdade, uma grande mudança em direção ao bem-estar mental está apenas começando, com o setor privado criando novas soluções, serviços e produtos para ajudar as pessoas a construir resiliência e melhorar seu bem-estar mental em suas atividades diárias em casas, escolas e locais de trabalho.


7. Um reset de valores globais

A experiência com a pandemia lançou uma redefinição de valores globais que está se manifestando em várias frentes de bem-estar. Para muitos de nós, ficar isolado em casa tornou-se um momento de auto-reflexão e contemplação sobre nossas carreiras, família e relacionamentos, e até mesmo estendendo-se a questões mais profundas como nosso propósito de vida, gratidão e compaixão pelos outros. As desigualdades nas exposições ao Covid-19, as perdas de empregos induzidas pela pandemia e a devastação econômica despertaram em muitas pessoas, empresas e governos uma nova urgência por justiça econômica e social. Daí, surgem perguntas como: O bem-estar é um privilégio ou um direito básico? Estou causando danos ao planeta ou amplificando a injustiça com minhas compras? As pessoas e os lugares estão sendo explorados pela indústria do bem-estar? A redefinição de valores está se espalhando em muitas esferas – justiça ambiental e social, liderança consciente, e até mesmo questionar o próprio sistema capitalista – com amplas ramificações em todos os setores da economia do bem-estar.


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